quarta-feira, 7 de julho de 2010


O momento soa diferente. Falta nexo, certeza, teoria. Falta um pedaço sem nome...
Com toda a bagagem de sonhos e conversas de varanda de praia, sobram perguntas acerca de um futuro bonito. Quanto tempo deve durar essa dor de cabeça chata? Quanto tempo dura uma dor que ainda não veio, e um frio que não tem estação de chegada? Faz sentido querer um tal “não-sei-o-que”, com um perfil um tanto previsível? Bonito, educado, sensível... e vulnerável? Ah, deixa pra lá. Já dizia um sábio: “Vida ao vivo é pra quem tem coragem.” E coragem eu tenho. Com pó e base, enfrento qualquer bom desafio que me leve ao fim do túnel. De repente, o pedaço já tem nome e rosto. E parece tanto você naquele sonho bonito de ontem à noite...


Em tempos de bons ventos,

Sorrisos novos e bem acompanhados

Fazem coro com o coração novo.

Com o mesmo cuidado da caixinha de música,

Guardo você no peito, rego, e peço benção aos céus.

Que nada mais mude, que a gente fique, e que o pra sempre aconteça.

Seu peito virou abrigo,

E de agora em diante será só você, eu, e nossos sonhos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Nova Morada


Ela de vez em quando se perdia no tempo. Era como se aquilo tudo ali na frente fosse mais passageiro que a lógica do mundo. Ela viajava. Voava alto todas as vezes que a monotonia ferrenha lhe incomodava. Ela sabia onde pousar. Sabia a melhor direção dos ventos, o momento certo de sentir calor, frio e amor. Ela sabia que a medida dos segundos do dia-a-dia a levariam muito além de um destino previsto. O futuro dela era implacável, e ela o reconhecia. Faltava pouco para ela abrir as asas sem ajuda humana, dependente ou sólida. Faltava pouco para ela voar com seus próprios sentidos, espíritos e verdades. Faltava pouco para ela se transformar em gente.




"E quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce."
SUTILMENTE

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ao passarinho que voou mais feliz e
à todas as notas que o seguiram,


BOAS NOVAS
O vento traz consigo novos sonhos,
São boas novas nascendo de um rosto antigo,
Em uma melodia nova, num quarto pronto em tons de outono.

O quadro se desenha por casas na árvore,
Castelos brilhosos e claves no topo,
Onde crianças brincam de faz de conta
E amores eternos viram história pra livro.

O vento traz consigo novos sopros,
Onde espadas se transformam em flores
Semeando caminhos coloridos que correm pra eternidade
Com pressa de chegada.
São arranjos feitos a dez mãos
Com cara de dois em um, dois em mais
E vozes de irmão.

O vento traz consigo novos montes
Onde a saudade pega a gente pelo braço,
Abriga poesia com dor,
E faz verso bonito virar tatuagem.

É estrela que brilha longe,
Fazendo anjo virar gente quando insiste em colo depois do almoço.
E faz gente grande virar palhaço,
Quando esquece quem mora longe,
Se a trilha tem rastro ou se tem alguém
Esperando adiante.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu queria me lembrar como é voar. Me pego pensando que nem nunca experimentei. Então como posso me lembrar de uma sensação vertiginosa banhada de alucinações se nem nunca me apresentei?

Sinto saudades dos períodos de guerra, onde os chefões mandavam e eu, obrigatoriamente, seguia sem contestar. Aprendi que nesse tempo era mais fácil de me conhecer do que agora. São tantos os questionamentos, são tantas as angústias regadas, que nessa exploração de respostas são poucos os que se salvam ilesos. Você mesmo, já saiu vivo, ou inteiro, de alguma dessas experiências?

Se voar fosse fácil não gastariam milhões em ferro, aço e inteligência em algo que vive caindo e explodindo por aí. Se continuar no alto fosse simples, Newton não teria tanto esforço em seguir discursos sobre a lei da gravidade.

De pouquinho em pouquinho chegamos perto da caverna do tesouro. A questão é: a vista lá de cima, será para o alto ou para o triste?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Get in

Deixa ele ir.
Deixa o telefone tocar,
A secretária eletrônica atender.
Deixa ele insistir, contestar, querer, repetir.


Deixa a caixa de chocolate acabar.
Deixa o despertador tocar.
Deixa a caixa de entrada lotar.

Deixa a balança aumentar,
A chuva molhar,
E o tempo passar.


Deixa ele voltar,
Se arrepender, implorar, jogar rosas pelo chão.
Deixa ele questionar, duvidar, acertar.

Deixa o cabeleireiro mudar,
A roupa sujar,
A maquiagem borrar.


Deixa ele chegar,
Beijar devagar, abraçar e pedir pra ficar.

Deixa de tentar controlar,
Pára de impor, de acertar.
Deixa a obrigação de lado,
O sapato desamarrado e espera ele acordar.


Deixa o amanhã pra depois,
O passado de lado, e
O livro marcado.

Deixa a saudade apertar,
A carta chegar,
A comida esfriar, e
Sol levantar.


Deixa o vento mudar,
A liberdade durar, e
O beijo ficar.


PS: E beijo bom é aquele que fica.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ponte


Quando me alertaram uma vez para tomar cuidado ao atravessar a rua não levei muito a sério. Sem olhar pros lados, ou calcular a velocidade exata com que os automóveis passavam por mim, respirei na mesma intensidade com que tomo um café em temperatura ambiente, e me lancei a caminhar naquele estranho asfalto cortado por traços iguais e amarelos.


Cheguei ao outro lado da rua. Não foi nada demais, qualquer um faria. No carro, um dos motoristas, distraído com a falta de tempo (tão comum nesses dias e que cada vez mais sobra menos), digitava no celular algumas desculpas de atraso pela reunião que estava por vir e iria lhe ocupar a tarde toda, que quase não viu a mutação do sinal de verde pra vermelho (afinal o amarelo é só pra um aviso óptico do que está por vir, porque ao psicológico não dá tempo de avisar). A força sobre o pedal direcionado à inércia do carro foi instantaneamente barulhenta. O asfalto, que já era estranho, ficou ainda mais evitado com marcas escuras de um pneu inexperiente. O susto do cara ao volante soou mais forte do que o espanto passageiro das pessoas pela rua ou do meu próprio. “Só faltava essa”, ele pensou. E desde então aprendi a olhar pros dois lados antes de atravessar a rua. Mas ao asfalto, me dou o luxo, ignoro mesmo, vivendo numa bolha alienante sobre as marcas profundas do que teria sido eu ficar no meio do caminho.