sábado, 30 de outubro de 2010

Caminho

Voltei a lembrar de pensar com cabeça e corpo.

Lembrei de todas as minhas necessidades humanas e carnívoras – aquelas mesmas que esqueci enquanto só pensava em você.

Voltei a mim no exato momento em que decidi deixar tudo que tinha livre, solto, correndo por aí. Presentes e demônios joguei ao vento. Dei-lhe de presente a melhor parte do amor e a marca mais doída que criou-se em mim.

E agora sou leve. Sou vida de novo.

Sabe momentos que vêm, vão, e só deixam uma idéia rasa de que nada aconteceu? Pois foi assim. Assim, desse jeito rápido e rancoroso.

Mas estou feliz. Aprendi que nada que não venha de mim pode me despedaçar por inteiro, tanto como você fez. Não te conhecia e te esperava, eu sei. Mas mesmo chegando com a bondade dos arcanjos são conseguistes ser pra sempre. E é aí que assumo minha culpa.

Nada que não seja eu, da cabeça aos pés, poderá me descompletar e me faltar.

Na minha vastidão sou eu, meus pensamentos e meu coração.


Aprendi a reconhecer minha parte mais bonita.

Mesmo sem você.

domingo, 3 de outubro de 2010

With or without you

E eu me livrei do pensamento de você. Voltei à minha liberdade, onde meus sonhos cabem em toda a sua extensão e plenitude.
Me libertei dos teus olhos. Eles não me pegam mais, não aparecem nas ilusões e nem no canto das músicas de pôr do sol.

Voltei a respirar.

Voltei a ser gente depois de ter perdido e aprendido com o seu amor.

Voltei a ser livre, sem você.


domingo, 26 de setembro de 2010

Elo

(Brasília, agosto de 2010)


Sabiá, Sabiá,

Quanto tempo! Quanta coisa pra contar...

Mal sabes tudo que me aconteceu nesse pouco tempo de primavera.

Sabiá, estou triste. Triste mesmo. Não como algo passageiro, mas como um estado de espírito. Tão ruim ser assim.


Você deve estar rindo agora.

Imaginando: “Humrum, Flor triste...”

Não consegues imaginar, eu sei. Foi difícil para mim me acostumar com isso também.


Sabiá, sabe o que é mais contraditório?

Amei. Me apaixonei. Mergulhei naquela sequência de sensações maravilhosas pro corpo e pro sorriso, como você tanto me aconselhou. Respirei o outro até a última gota – sei que isso não fazia parte do passo-a-passo, mas parecia tão natural. Você sabe como sou com um porto seguro, não sabe? Me finco, me apego e não quero largar mais.

Me deixaram, Sabiá. Me deixaram sozinha, sem rumo. E o que é pior: sem meu amor.


Como podem fazer isso com a gente?

Arrancar algo que é só seu, e que não pertence a ninguém, muito mesmo ao outro, e levá-lo embora, fingindo que aquilo nunca existiu.

Ah, meu amigo, a vida é triste. Assim como sou agora.


Me tornei descrente, acredita?

Me tornei descrente de mim no fim das contas. Do que sou capaz, se consigo mesmo ser alguém, se consigo escrever frases bonitas e coloridas outra vez.

Mas essa coisa de poética fica para a próxima. Já lhe enchi com melancolia demais para apenas uma lauda.


Se cuide. E cuide de mim, mesmo que de longe.


PS: Estou precisando de uma bezendeira? Conhece alguma.


Sua Flor triste.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Naturalmente


Logo eu, que sempre me orgulhei de saber sentir saudade, me pego tentando não pensar que cada frame seu me leva para perto do que eu não quero lembrar.


(New York, abril de 2010)



E eu ainda sinto saudade.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Carrinho de rolimã.

Gosto de me lembrar do tanto que você me fazia bem. De quantas teorias de relacionamentos nós discutimos em frente ao mar ouvindo MPB. Reafirmávamos que nada era para sempre, que as dores de amor eram compatíveis a ambos. Mas mesmo assim seguimos no rumo do insólito.
Nos rendemos aos caprichos da atração,da paixão, e nos perdemos no meio do caminho. Aliás, será que éramos nós mesmos lá no começo? Tenho a sensação de que tudo já é passado. Não existe, nunca existiu. Foi só lembrança.


Hoje deito pra dormir e com o fechar dos olhos vem nosso beijos. Seus olhares que desciam meu corpo e me provavam que eternidade se constrói no pensamento da alma. Você me invadia, inundava tudo, e não me deixava. Naquele tempo você nunca me soltava. Era o calor do teu corpo que me protegia do medo frio.

E de repente você decidiu se conhecer. Ver as práticas mundanas de perto, me deixando de lado com todo o amor de um mundo inteiro. Eu era só amor. Da cabeça aos pés, eu era só verdade. E eu, assim, me vi partida. Metade de mim, a melhor parte, vale-se dizer, não existia mais. Justo aquela parte que era fundamental pro corpo todo. E eu já não sabia mais andar. Nem respirar. As músicas que ouvíamos agora tocam nos sonhos escuros que tenho em sua companhia todas as noites. Me fazendo lembrar do completo que já conheci.

E hoje eu já nem sei se algum dia fui alguém, ou se fui sempre vazia assim.

Tem gente que se encontra nesses encontros da vida. Eu me perdi. E não me achei mais.

E hoje tudo não passa de lembrança.

domingo, 25 de julho de 2010

Sem doce.

E eu só queria pedir que ficasse.
Que deixasse o mundo lá fora com toda o seu mal-humor desnecessário.
Volta pra gente brincar de cabana e tomar café na hora errada.
Pra gente viver o que não cabe mais nessa vida,
E o que os astros destinaram a outros.
Volta pra gente terminar o que não começou.

Volta e fica.

sábado, 17 de julho de 2010

'Cisão'

Siga… Boa sorte. Bons ventos nesse novo tempo. Que esse novo projeto seje o começo de uma temporada longa e feliz. Siga feliz. É tudo o que eu posso te desejar agora.

Sorria. Sorria muito. Deixe essa caretice um pouco de lado... Dance e grite em uma praia vazia. Você vai ver que não é tão horrível como soa.

Que tudo de certo pra voce daqui pra frente. Os erros passados, as entrevistas mal sucedidas, os sonhos de menino. Engraçado. Eu tento, e tentei durante muito tempo, encontrar desculpas concretas e acreditáveis de que vocÊ foi um erro na minha vida. “Podia ter sido diferente. Podia ter sido direito. Podia ter sido pra sempre”. E quem sabe não seja? O tempo que nos guiou foi justo. Um mês regado de descobertas, encontros, paixão, realidade e cor. Como te disse uma vez, não somos loucos. Muito menos sortudos. Somos abençoados. Vivemos em um encontro curto, uma vida pela qual muitos dariam tudo. Carreira, sonho, plano... vício. Vício. Você virou tudo pra mim nesse tempo. Céu, ar, poesia, norte... casa. Me deu abrigo.

Seria piegas e fraco dizer que isso e ‘apenas’ o fim? Doeu. Dói. Vai doer. Mas vai ficar bonito. É a última promessa que eu te faço. Vai se salvar bonito.

As partes ruins? Deixa elas lá. No canto, no escuro, no silêncio, junto com as palavras que eu insisto eu não pronunciar. Eu não quero te querer mal. Já chega o pouco de mal que eu lancei a mim mesma no tempo de insegurancas sobre as tantas e belas promessas que não se cumpriram. Por destino. Por sorte. Ou por fé. Mas você sabe: Eu vou sempre no caminho divido. E um dia desses, um grande amigo meu criou uma frase destinada há milênios a mim.
“É fe, e fe, meu caro, e incontestável.”

Deus nos afastou da familia, dos amigos, das nossas vidas para que nos encontrassemos em um outro oceano. Qual seria a dificuldade de um outro milagre como esse daqui algumas colheitas ou anos? Almas polidas, serenas e felizes. Foi o que faltou pra gente. Mais tempo pra conhecer a si mesmo. Você se conhecendo. Eu me entendendo. Siga, então. Siga em busca do que você acredita, das coisas bonitas, de um futuro brilhante. Quem sabe qualquer dia desses a gente não se encontra procurando uma casa, e aí, sim, na mesma cidade?


Só mais uma coisa...


Eu sinto sua falta sempre. De verdade.